Do Outro Lado do Balcão

agosto 8, 2010

Um complô na família…

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade,Sei lá! — O Balconista: @ 14:26

Querido diário…

Hoje descobri que, por mais que se ame a mulher que você escolheu para casar, e por mais que você tenha boas intenções em cultivar boas relações com a sua sogra, você não pode, em hipótese alguma, confiar nessas duas pessoas.

Tema do filme: “dormindo com o inimigo”.

Explico.

Eu tenho maravilhosas intenções de amar todos os meus sobrinhos: os de verdade, e os que eu adotei, e por isso, sempre que posso, eu os mimo com presentes.

Assim, eles sempre se lembrarão daquele tio-super-legal-que-mora-longe… Não é simples o raciocínio? Pois é…

Dar presentes para quem se ama é uma reação normal para qualquer pessoa… é uma prática comum e que o comércio incentiva com bastante vigor, basta olharmos para as ofertas de dia das crianças, natal, dia dos pais, etc.

Pois é. Eu resolvi dar um relógio para um deles. Um relógio de brinquedo é verdade, mas ainda assim é um relógio.

Como uma forma de cultivar as relações familiares e incentivar o diálogo no âmago do casal, pedi à minha querida amada e para sempre idolatrada esposa, que entregasse o “mimo” para a mãe dela, que também responde pela alcunha de “minha sogra”, de tal sorte que o brinquedo chegasse às mãos do Joãozinho (meu sobrinho) que mora em Uberlândia.

Simples e poético, você não acha? Só que as coisas não aconteceram bem desse jeito….

Você acredita que ela teve a pachorra de dizer para a mãe dela que o presente era dela, e que, não obstante os meus protestos, a “minha sogra” repetiu isso para a criança?!!?!?

E agora, como desfazer o trauma psicológico que pode vir a se formar no seio deste infante…

Imagino que agora ele deva estar se perguntando: “Onde teria ido parar o presente que o meu tio super-legal-que-mora-longe me deu? Será que ele se esqueceu de mim?”

Coitada da criança….

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abril 26, 2009

Prova…

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade — O Balconista: @ 22:30

Meus alunos devem estar morrendo de felicidade; eu pelo menos estou. Amanhã eu aplico prova para eles: Segunda chamada para a turma de Direito Ambiental e Primeira avaliação para a turma de História do Direito.

Sabe quando você tem a impressão que o seu dia será divertido?!…. 

Por outro lado, amanhã, sem falta, tenho de entregar o texto final da minha dissertação. 

Tomara que dê tudo certo…

Torçam por mim.

Abraços,

abril 24, 2009

O fim de um ciclo.

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade — O Balconista: @ 15:45

Muita coisa aconteceu comigo neste período em que estive fora.

Converso aqui com os meus amigos que, de uma forma ou outra, passam por aqui para uma leitura frugal.

O que aconteceu?! Saí de casa. Destruí, ou desmontei (como queiram), uma vida que era, bem ou mal, uma metade. Não havia um inteiro. Muito se perdeu ao longo da caminhada, e, alguma parte, sequer iniciou aquela jornada.

De um relacionamento, se não nos entregamos, por certo, ele não logrará o êxito tão esperado pelos jovens adolescentes apaixonados.

Pois é; terminou.

E ao mesmo tempo em que termina, alguma coisa germina.

Quem é ela?! Por hora, contentem-se em saber que ela é a senhora dos meus dias e a minha calmaria nas noites tempestuosas. Clichê? Foda-se! é assim como eu me sinto, e é assim como descreverei os meus sentimentos; afinal, você se está aí sentado, lendo isto, é porque quiz! Se não quiser, dane-se! Você não tem ouvidos de ouvir!

Desculpem pelo tom ácido destas palavras, pois, conforme entitulei, fecha-se um ciclo agora, e, muito do que está sendo expurgado agora, acaba saindo de uma forma violenta e dolorosa, deixando manchas na pele, que, em breve sumirão como um bronseado que se esvai no inverno.

É o fim de um período turbulento, e isto é bom!. Porém, não significa que problemas ou pequenas tempestades não possam ocorrer, mas a força para vencê-las está renovada. O que me interessa, e para mim basta, é que a bonança chegou. E ela tem nome: Morena.

É…

O fim de um ciclo é o começo de outro.

Que sejas bem-vindo, então!

julho 23, 2008

E PENSAR QUE A ROBERTA CLOSE FOI MEU CUPIDO…

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade,Sei lá! — O Balconista: @ 15:03

Tudo começou com um clique do mouse.

A rede mundial de computadores, como que mancomunada com o destino, me direcionou para um link que eu jamais pensaria em visitar: bundafurada.blogspot.com

“Bunda Furada”… Vamos e convenhamos, caro leitor. Quem, em sã consciência, procurando por textos jurídicos, iria clicar no link de um blog que pelo nome, deveria abordar os temas mais “cabeludos” que se pode imaginar. Olha lá!, Pelo amor de Deus, o nome é BUNDA FURADA!! Faça-me o favor!

Pois é… eu também pensei nisso. Mas, como todo o curioso que se preste, resolvi descobrir o real tamanho do furo desta bunda e pus-me a lê-lo.

Que grata surpresa. A autora do blog é uma excelente contadora de histórias, daquelas que consegue pegar um evento tenebroso e transformá-lo em uma coisa leve e com um excelente humor.

Após ficar embevecido com os textos postados, resolvi que deveria me comunicar com aquele ser de mente brilhante. Mas como? De que forma? Utilizando-me de que abordagem: intelectual ou canalha? Convidando para um chopp? Bah! Nenhuma dessas parecia que iriam surtir o efeito pretendido: estabelecer um canal de comunicação com aquele ser de outro planeta, que se identificava como “mal-humorada crônica e que gostava demais de um mal feito para ser gente boa”.

Pus-me a pensar então em um modo eficaz, e, num lampejo de idiotice, resolvi mandar um e-mail totalmente despretensioso parabenizando por um determinado conto postado, fato que rendeu um e-mail de retorno, com um pedido para que me apresentasse, porque não seria justo, que somente eu “ficasse olhando pelo buraco da fechadura”.

Sabe aquelas situações em que você se sente apertado, e quer pedir para o mundo parar para você descer?… Pois é! Estava me sentindo assim. O canal de comunicação parecia estar aberto, mas como mantê-lo?!

Colocando para trabalhar aquele excesso de neurônios que nós homens temos a mais que as mulheres, lembrei-me que não existe melhor jeito de conquistar uma mulher que não seja desprezando-a. E foi assim que eu fiz.

Devolvi o e-mail dizendo um bando de baboseiras sem nexo, e argumentando que não faria nenhuma apresentação formal, porque estava me sentindo “meio Roberta Close”, e que se ela não entendesse o significado da expressão, que pedisse “ajuda”.

Rá! Pronto. A isca estava lançada e o peixe saiu em busca dela como se aquela fosse “a última coca-cola do deserto”.

Em tom blasé, comunicou que gostou da minha “apresentação”, e, como que se fazendo de desentendida, iniciou por questionar o que significaria “meio Roberta Close”.

O peixe foi fisgado!

Dois e-mails depois, sonegando a informação, resolvi que seria o momento de contar o pensamento canalha que se escondia por sob aquela expressão, mas não sem antes questioná-la se conhecia a história daquele ícone, e para alguns sex simbol, dos anos 80.

Não deu outra. Depois de mais alguns xingamentos em minha caixa postal e alguns cliques no Google e no Wiki, ela afirmou que estava apta a descobrir aquele segredo guardado pela geração da década de 80.

Então, em um tom mais blasé que ela simplesmente lhe falei: “Ah, agora não. Estou “sem saco” para fazer isso”.

Resultado? Apaixonou e disse que não me larga mais…

 

O Balconista.

julho 10, 2008

Constatação!

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade,Protesto! — O Balconista: @ 14:06

A Morena, porque ganhou um cartão de desconto de uma farmácia aqui de Brasília, me fez rodar 10 Km só para poder usá-lo na compra de uma (01 unidade) aspirina… É MOLE?!?!

Sabe o que é pior? Eu nem reclamei e ainda achei bom…

Definitivamente, eu sou uma besta.

junho 19, 2008

Pensamento do dia.

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Sei lá! — O Balconista: @ 11:47

Acordei hoje refletindo sobre uma frase que uma amiga minha proferiu:

“É preferível suportar o peso da mochila em uma trilha, do que a dor na consciência de não tê-la feito.”

Definitivamente, eu estou precisando colocar o pé no barro!

O Balconista.

junho 2, 2008

Você conhece a Liviolândia? E a Lenda do lugar?

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Protesto! — O Balconista: @ 14:04

 

 

 

            Mulheres…BAH!

 

 

 Vocês já devem ter me ouvido falar que mulher é um bicho muito parecido com seres humanos, né?! Pois é, depois disso, já ouvi me chamarem de grosseirão, turrão, machista e outros adjetivos que não convém citar, mas, mais uma vez, preciso vir à público para relatar um fato estarrecedor.

Aos mais sensíveis, por favor, fechem seus navegadores, ou não prossigam daqui, e nem leiam em voz alta, porque não quero ser responsável por futuros traumas causados em crianças de tenra idade.

Pois bem. Depois não digam que eu não os avisei!

Todos já devem ter ouvido alguém, em algum lugar, dizer que “com mulher não se pode dar folga”, ou “que mulher tem de ser tratada assim: no cabresto curto”. Não é mesmo?

Pois é. Eu tive uma infância diferente. Minha mãe sempre me ensinou que deveríamos tratar a mulher com dignidade e igualdade, não obstante termos mais neurônios que elas, e que não deveríamos fazer nada que pudesse magoá-las.

Mamãe, eu tentei! Juro que tentei!

Por força desses ensinamentos, ao longo dos anos, pautei minhas ações para com o sexo feminino da forma mais digna e mais respeitosa possível.

Recentemente, vocês devem ter ouvido dizer que eu não sou mais um bem no mercado, ou seja, que eu estou namorando, mas, não obstante todo o amor que eu tenha dedicado à minha amada e jamais traída namorada, e independentemente do tratamento de princesa que lhe proporcione, fui surpreendido por aquela que diz me amar.

No dia vinte e cinco de maio, próximo passado, recebi a seguinte missiva eletrônica “daquela advogadazinha”, contendo uma ameaça aterradora. Vejam só:

A soberana suprema da Liviolândia vem por meio desta intimar V. Senhoria a providenciar urgentemente a satisfação da necessidade abaixo especificada no prazo máximo de dez dias, sob pena de açoite em praça pública e greve generalizada.

 

Atenciosamente.

 

Na referida correspondência havia um anexo de uma imagem de um casal de abraçando, e, ao que se percebe, o e-mail possuía o objetivo de pedir um abraço, fato que, à toda a prova, deveria ser uma coisa romântica. Mas não foi, né?!

Resolvi então que seria hora de dar um basta naquilo e que, a partir de então, a colocaria no seu devido lugar, mas, ainda assim, respeitando os mandamentos que a minha santa mãezinha havia me ensinado.

Precisava bolar um jeito de encurtar o cabresto e acabar com a folga daquela que se intitula minha namorada.

Resolvi que a mandaria para a “pííííííta-que-pariu” ou para o “raio-que-o-parta”. Não. Melhor que isso! Vou mandá-la para o reino dela! É isso! Vou criar o reino dela: a Liviolândia, eu serei um residente que irá mostrar para o mundo como uma mulher pode ser vil e cruel com o homem que a ama, principalmente, levando-se em consideração que EU serei o autor da estória. Rá!

Sabe o que aconteceu?! Ela se apropriou daquilo, criou um blog e agora me escravizou para ficar escrevendo estórias para ela.

Humpf!…

O Balconista.

 

 

 

 

 

maio 22, 2008

TODA A CARAVANA DE PUTAS TEM UM MOTORISTA

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Felicidade,Protesto! — O Balconista: @ 09:28

Tem gente que não se enxerga mesmo, né?

Explico.

Basicamente o homem médio tende a trabalhar mentalmente com as seguintes máximas: “a galinha do vizinho é sempre mais gostosa que a minha” e “o pior sempre acontece comigo”.

Pois bem.

A moça que escreve sobre bundas e buracos, ali ao lado, resolveu mudar de foco e contou sobre um episódio, que reputo verídico, de sua vida.

Disse a gentil senhora que foi a organizadora da caravana de putas que animou os comensais na Santa Ceia, após terem eles se refestelado de pão e vinho. Tudo isso para justificar um simples problema de cancelamento de senha na internet e um péssimo atendimento do HelpDesk da empresa provedora do serviço.

Penso que este exemplo se encaixa perfeitamente nas máximas que transcrevi no início deste post, pois quer ela fazer crer que é a mortal mais infeliz do planeta, ou, de outra maneira, que Murphy lhe dá uma atenção toda especial no quesito “como estragar meu dia feliz”.

Tem dó, né, “fia”?!

Tal ato é, até que se faça prova em contrário, uma demonstração clara de egoísmo e auto-penitência sem precedentes e para lá de desnecessária.

Minha senhora! Por favor, olhe para os lados e perceba que existem problemas maiores que o seu. Imagine que há pessoas que não tem os braços e nem por isso deixam de ter coceira no cu, ou nem por isso vão deixar de limpar a bunda.

Veja bem. Você tem um namorado lindo, gente boa, bem sucedido, que gosta de sexo, professor universitário e que te ama e faz quase tudo por você, e você ainda fica reclamando?

Veja o meu caso, por exemplo. Resolvi me apaixonar por uma gentil donzela que:

a)     reside a mais de 400 quilômetros da minha residência;

b)     é uma advogadazinha recém formada, que tem a nítida sensação de que é gente;

c)      possui uma mãe que odeia, eu disse odeia, pessoas que “provém da internet”, e que moram longe da casa dela porque são todos um bando de malucos;

d)     não tem solidariedade para com o próximo;

e)     tem um coraçãozinho negro, duro e pequeno;

f)        os ex-namorados dela residem na mesma cidade, e eu aqui, a mais de 400 quilômetros, pensando que todos devem ser canonizados por não tentarem tirar uma casquinha de uma morena estonteante;

g)     tem uma amiga que é bruxa e vive tentando costurar o meu nome nos lábios de um anfíbio anuro obeso;

h)      vez por outra furta minhas roupas íntimas para enterrar em algum lugar que eu prefiro não saber;

Isso só para falar o mínimo!

Voltando, agora ao “mi mi mi” da cafetina organizadora da caravana de putas, pergunto: As meninas eram gostosas? Fogosas? Os comensais tiveram que pagar alguma coisa pelos “serviços prestados” ou aquilo foi um mero gesto de caridade? Algum dos apóstolos teve sífilis? Gonorréia, talvez?

Enquanto isso não for respondido, fico por aqui, buzinando dentro da van para ver se as meninas voltam logo dessa “tal Ceia”, de tal sorte que eu possa levá-las de volta para casa, ainda a tempo de pegar o jantar da patroa bem quentinho.

Mas fiquei pensando uma coisa… Como é que é que ela vai me pagar esse frete?

O Balconista.

maio 20, 2008

A Solidariedade Morreu!

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Protesto! — O Balconista: @ 22:50

 

            Outro dia estava eu zapeando por entre os vários blogs da internet, quando me deparei com o seguinte post (confira aqui).

Após lê-lo, percebi, ou pelo menos achei, que ele relatava um pequeno trecho de um episódio que aconteceu em minha casa.

Eu sei que a resposta não veio a tempo e hora, como poderão alegar alguns, mas, somente hoje, depois de refeito do susto e mais recuperado do choque, me sinto apto a falar sobre a falta de solidariedade que tem sido a tônica em nossa sociedade.

Deixe-me contextualizá-los.

Em um determinado final de semana, aquela que se intitula minha namorada, veio me fazer uma “visita”.

Eu, inocentemente, pensava que se tratava de uma visita, ou de uma demonstração de amor e saudades, dessas que os casais normais e que se amam cansam de fazer, e parece, aos nossos olhos, uma coisinha para lá de piegas.

Que engano o meu… Ela veio para fazer uma fiscalização. É! É isso mesmo que vocês leram. F-I-S-C-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O. Lembram daquelas mulheres que saíam, na década de 80, com um bottom pregado em suas roupas, escrito “Eu sou Fiscal do Sarney”, e faziam verdadeiras blitz nos supermercados para controlar a alta dos preços? Pois é… a história é bem parecida.

Ainda em minha inocência, convidei “aquela que se intitula minha namorada” para um jantar romântico a dois, com direito a vinho e luz de velas em um restaurante francês que é um charme. Eu preparei o ambiente todo. Conversei com o maitre do lugar para reservar um cantinho só para nós, cardápio especial, enfim, pensem em tudo, e tinha a nítida sensação de que seria impossível que não conseguisse ganhar a menina e ainda levar de brinde uma maravilhosa noite de sexo selvagem.

Mais um engano de minha parte. Murphy, que ronda os meus sonhos, aprontaria mais uma das suas…

Pois bem. Estava eu me arrumando quando ouvi um grito surdo ecoar na porta da minha casa. Saí do closet todo atrapalhado, ainda abotoando a calça jeans, quando me deparei com a seguinte cena: minha amada e jamais traída namorada plantada na frente do apartamento, com um sorriso cínico na fronte, e um balãozinho na cabeça (daqueles de pensamento), escrito: MORRA DESGRAÇADA!

De relance, eu ainda consigo ver as madeixas loiras da vizinha do 217, que se deslocava para o seu apartamento, no ritmo do tilintar das garrafas de vinho que carregava.

Pronto! Tinha de ser aquilo para estragar a minha noite! Só um fator surpresa daqueles seria capaz de colocar por terra todo o meu plano.

Aí, só me restava uma coisa, descobrir o que estava acontecendo.

– Que foi que aconteceu? – perguntei.

Com cara de não muitos amigos ela gemeu baixinho, e, me olhando fixamente, disse:

– A-d-i-v-i-n-h-a. – e indica com a cabeça a porta da loira, que ainda se atrapalha pra abrir a porta segurando a sacola com as garrafas de vinho.

            – Hein? – retruquei.

            – ISSO é sua vizinha? – como que num passe de mágicas ela coloca as mãos na cintura e arqueia a sobrancelha, esperando, sinceramente que aquelas poucas palavras soassem como uma defesa de doutorado para uma banca de catedráticos que já haviam lido mais de quinhentas páginas da tese. Pretendendo evitar maiores conflitos, e garantir, ao menos em parte agora, uma simples noite de sexo, respondi, ainda vacilante, na expectativa de ganhar mais algum elemento de compreensão: – Ah, é…eu também acho isso um absurdo.

– Ah, acha?

            – Acho sim. A coitada nem tem açúcar em casa. Já veio várias vezes me pedir uma xícara para poder terminar a receita do bolo que a sua santa mãezinha lhe ensinou…

            Nesse instante eu tranquei a porta do apartamento, agarrei a morena pela cintura e fui direcionando-a na direção do carro, na expectativa de que o foco da discussão mudasse.

Como eu havia dito, e após refeito deste susto, peguei-me pensando sobre como é difícil acreditar o quanto as pessoas são insensíveis aos problemas da vida alheia.

Coloque-se na seguinte situação. O preço dos ovos, leite, trigo, manteiga e fermento estão pela hora da morte, e no momento que você começa a preparar uma receita de bolo, não se deve parar, sob pena de transformar aquela coisa que deveria ser fofinha em alguma substância com consistência de bolo de aipim e de gosto um tanto duvidoso.

Como é possível então negar para o próximo uma reles xícara de açúcar? Nós somos cristãos, PELOAMORDEDEUS! Então, deveríamos nos empenhar mais em amparar o próximo, e fazer para com ele o que esperaríamos que nos fosse proporcionado.

Será que eu estou pensando alguma coisa errada? Acho que não.

GENTE DO CÉU! Como pode existir uma mulher assim sem coração? Que se esquece que a solidariedade deve ser cultivada desde a mais tenra idade? Cá pra nós, eu tenho quase certeza que ela é incapaz de dar um telefonema, daqueles de um realzinho mesmo, na Campanha da Fraternidade ou no TeleTom. Vá de retro! Credo em cruz, mangalô-trêis-veiz!

Definitivamente, a solidariedade morreu!

O Balconista.

abril 29, 2008

Não tinha como não dar errado…

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica — O Balconista: @ 16:17

               Uma vez, uma amiga da minha mãe disse assim para ela:

             Fulana (mãe, desculpe, mas vai ficar Fulana mesmo, porque eu não vou dar o seu nome na internet não!! Tem graça, né?!), tome cuidado com seus filhos, porque, se uma menina resolver namorar com eles, vai querer logo se mudar para dentro da casa deles. Eles são muito bons. Não batem em mulher, não fumam, não bebem, e tem um preparo físico excelente!

             Minha mãe ouviu aquilo com um certo ar de descrença, mas, como era um conselho, resolveu guardar, e, há poucos dias, sei lá por que cargas d’água, entendeu que era hora de me contar essa história.

Intuição feminina? Bruxaria? Eu não acredito nisso, mas, qual não foi a minha surpresa? Não é que coincidiu com o período em que aquela ali resolveu vir me visitar em Brasília?

            Estranho… muito estranho….

            Mas, eu pensei: Bah! Isso não deve ser nada de mais. Doideira da minha mãe. Vai ser só um final de semana bem gostoso, com uma morena linda e muito errrr… bem… enfim, vocês entenderam, né?

            Aí, quando ela chegou, foi logo me dizendo que queria fazer uma mudança nos móveis da kit (que quase não existem), “porque o feng-shui deles não estava bom”. Disse também que aquela camiseta que eu tinha da “Choppada da Faculdade de Direito de 1994” tinha que virar pano de limpar banheiro e que “precisava, urgentemente, conhecer meus amigos”.

           Caraca! Nessa hora eu gelei. Todos os meus alarmes soaram! Parecia aquela música do Pink Floyd que começa com todos os despertadores do mundo tocando ao mesmo tempo.

           “Corre cambada, que o General de Primeira Brigada chegou!”, pensei.

            Por mais que a situação fosse alarmante, tipo, “Perigo Nível 7”, ou “lixo atômico sendo transportado em latinha de margarina”, eu só tive fôlego para responder uma coisa: “Claro que sim, meu amor”.

           Tal resposta, eu preciso explicar, é padrão e serve para te livrar de maiores problemas ou aborrecimenos desnecessários, variando, no muito, entre a afirmativa ou a negativa.

           Utilizei-a como tática evasiva para evitar um confronto direto, ali, naquela hora, mas precisava ser rápido se ainda queria preservar a minha liberdade.

           Pensei quem seria o “cara ideal” para apresentar-lhe.

          Não poderia ser qualquer um. Tinha de ser alguém deplorável. Um escroque. Corri mentalmente a lista dos meus amigos, e dentre todos, consegui excluir 3. Tá, esses podem ser facilmente caracterizados por bichinhas, mas fazer oque? Os caras são gente boa.

         Precisava eleger, então, outros critérios, para tornar a busca do “escolhido” mais eficaz. Eliminei de cara todos os que tivessem idade compatível com a dela, e todos os que pudessem desenvolver um diálogo, ainda que minimamente, amistoso, afinal, concorrência é sempre concorrência.

        Cheguei então ao “cara”. Quarenta e sete anos, mora com os pais, é garoto de programa (trabalha com informática, analista de sistemas. Ué?! Pensaram o que?), não escova os dentes pela manhã, porque, segundo ele, deixa a cerveja com um gosto ruim e só usa camisetas do Jetho Tull (as originais, compradas em Woodstock).

        Hehe… o plano estava em execução.

        Levei-a para almoçar num boteco que serve uma codorna ensopada divina e um pescoço de peru ao molho fenomenal, mas, confesso, é um muquifão! Ela ia detestar. Eu tinha certeza disso.

        Marquei com ele uma hora depois do horário, só para deixá-la irritada e para ver se eu conseguia criar um clima desagradável na mesa.

        Maquiavélico, eu? Imagiiiina.

       Cenário armado. Litigantes de cada lado da mesa, e qual não foi a minha surpresa? A porra do meu amigo não inventou de levar a namorada muda que ele tem!

       E pior. Ela não achou isso lindo e adorou a comida?!?! Disse que eu e meus amigos éramos pessoas sensíveis e de bom coração, que o pescoço de peru estava temperado com ervas finas, e que estava louca para contar para a mãe dela, minha sogra (ela fez questão de frisar isso), que eu era o par perfeito para ela.

        Putz… Depois disso, eu estou aqui me perguntando: Porque que a mamãe não me telefonou mais cedo?

       Droga!

 O Balconista.

 

 

 

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