Do Outro Lado do Balcão

maio 20, 2008

A Solidariedade Morreu!

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica,Protesto! — O Balconista: @ 22:50

 

            Outro dia estava eu zapeando por entre os vários blogs da internet, quando me deparei com o seguinte post (confira aqui).

Após lê-lo, percebi, ou pelo menos achei, que ele relatava um pequeno trecho de um episódio que aconteceu em minha casa.

Eu sei que a resposta não veio a tempo e hora, como poderão alegar alguns, mas, somente hoje, depois de refeito do susto e mais recuperado do choque, me sinto apto a falar sobre a falta de solidariedade que tem sido a tônica em nossa sociedade.

Deixe-me contextualizá-los.

Em um determinado final de semana, aquela que se intitula minha namorada, veio me fazer uma “visita”.

Eu, inocentemente, pensava que se tratava de uma visita, ou de uma demonstração de amor e saudades, dessas que os casais normais e que se amam cansam de fazer, e parece, aos nossos olhos, uma coisinha para lá de piegas.

Que engano o meu… Ela veio para fazer uma fiscalização. É! É isso mesmo que vocês leram. F-I-S-C-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O. Lembram daquelas mulheres que saíam, na década de 80, com um bottom pregado em suas roupas, escrito “Eu sou Fiscal do Sarney”, e faziam verdadeiras blitz nos supermercados para controlar a alta dos preços? Pois é… a história é bem parecida.

Ainda em minha inocência, convidei “aquela que se intitula minha namorada” para um jantar romântico a dois, com direito a vinho e luz de velas em um restaurante francês que é um charme. Eu preparei o ambiente todo. Conversei com o maitre do lugar para reservar um cantinho só para nós, cardápio especial, enfim, pensem em tudo, e tinha a nítida sensação de que seria impossível que não conseguisse ganhar a menina e ainda levar de brinde uma maravilhosa noite de sexo selvagem.

Mais um engano de minha parte. Murphy, que ronda os meus sonhos, aprontaria mais uma das suas…

Pois bem. Estava eu me arrumando quando ouvi um grito surdo ecoar na porta da minha casa. Saí do closet todo atrapalhado, ainda abotoando a calça jeans, quando me deparei com a seguinte cena: minha amada e jamais traída namorada plantada na frente do apartamento, com um sorriso cínico na fronte, e um balãozinho na cabeça (daqueles de pensamento), escrito: MORRA DESGRAÇADA!

De relance, eu ainda consigo ver as madeixas loiras da vizinha do 217, que se deslocava para o seu apartamento, no ritmo do tilintar das garrafas de vinho que carregava.

Pronto! Tinha de ser aquilo para estragar a minha noite! Só um fator surpresa daqueles seria capaz de colocar por terra todo o meu plano.

Aí, só me restava uma coisa, descobrir o que estava acontecendo.

– Que foi que aconteceu? – perguntei.

Com cara de não muitos amigos ela gemeu baixinho, e, me olhando fixamente, disse:

– A-d-i-v-i-n-h-a. – e indica com a cabeça a porta da loira, que ainda se atrapalha pra abrir a porta segurando a sacola com as garrafas de vinho.

            – Hein? – retruquei.

            – ISSO é sua vizinha? – como que num passe de mágicas ela coloca as mãos na cintura e arqueia a sobrancelha, esperando, sinceramente que aquelas poucas palavras soassem como uma defesa de doutorado para uma banca de catedráticos que já haviam lido mais de quinhentas páginas da tese. Pretendendo evitar maiores conflitos, e garantir, ao menos em parte agora, uma simples noite de sexo, respondi, ainda vacilante, na expectativa de ganhar mais algum elemento de compreensão: – Ah, é…eu também acho isso um absurdo.

– Ah, acha?

            – Acho sim. A coitada nem tem açúcar em casa. Já veio várias vezes me pedir uma xícara para poder terminar a receita do bolo que a sua santa mãezinha lhe ensinou…

            Nesse instante eu tranquei a porta do apartamento, agarrei a morena pela cintura e fui direcionando-a na direção do carro, na expectativa de que o foco da discussão mudasse.

Como eu havia dito, e após refeito deste susto, peguei-me pensando sobre como é difícil acreditar o quanto as pessoas são insensíveis aos problemas da vida alheia.

Coloque-se na seguinte situação. O preço dos ovos, leite, trigo, manteiga e fermento estão pela hora da morte, e no momento que você começa a preparar uma receita de bolo, não se deve parar, sob pena de transformar aquela coisa que deveria ser fofinha em alguma substância com consistência de bolo de aipim e de gosto um tanto duvidoso.

Como é possível então negar para o próximo uma reles xícara de açúcar? Nós somos cristãos, PELOAMORDEDEUS! Então, deveríamos nos empenhar mais em amparar o próximo, e fazer para com ele o que esperaríamos que nos fosse proporcionado.

Será que eu estou pensando alguma coisa errada? Acho que não.

GENTE DO CÉU! Como pode existir uma mulher assim sem coração? Que se esquece que a solidariedade deve ser cultivada desde a mais tenra idade? Cá pra nós, eu tenho quase certeza que ela é incapaz de dar um telefonema, daqueles de um realzinho mesmo, na Campanha da Fraternidade ou no TeleTom. Vá de retro! Credo em cruz, mangalô-trêis-veiz!

Definitivamente, a solidariedade morreu!

O Balconista.

Anúncios

3 Comentários »

  1. Se depender de eu direcionar o amor que existe no meu coração a uma pessoinha loira sumariamente vestida que nem aquela, pode esperar sentado no vaso sanitário, que é pra aguentar mais tempo e sem acidentes fisiológicos.

    Primeiro: xícara de açúcar é o @#$%¨&*(@#$%¨&*(@#$%¨&*() (aqui um monte de palavras impronunciáveis de baixo calão. Ouça um Piiiii, por obséquio).

    Segundo: noite romântica, é? Vinhozinho, é? Restaurante francês, é?? QUE NAMORADA É ESSA, CARA PÁLIDA??? Onde foi tudo isso que eu não vi????

    Terceiro: solidariedade é um conceito superestimado. Por mim essas loirinhas gostosinhas que moram no mesmo andar do meu namorado podem morrer todas fritas dentro do aparelho de bronzeamento artificial.

    Quarto: aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…

    Quinto: Depois, quando as pessoas disserem que nós somos o casal mais anti-romântico do mundo, nem dá pra retrucar, né? TA VENDO O QUE VOCÊ FAZ?? Isso é que enfraquece!!!

    HUMPF.

    (vou ali chamar a Déia pra ver isso. acho que podemos bolar um ritual mata-vizinha daqueles de dançar peladas sob a lua cheia pra resolver essa questão…

    Comentário por Lívia — maio 20, 2008 @ 23:13 | Responder

  2. Posso assistir ao ritual? A vizinha vai ficar pelada também?

    Comentário por O Balconista: — maio 20, 2008 @ 23:22 | Responder

  3. Alguém me chamou? (de varinha em punho!)
    Aff… odeio chegar atrasada…

    Comentário por A Bruxa — maio 22, 2008 @ 14:06 | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: