Do Outro Lado do Balcão

abril 29, 2008

Não tinha como não dar errado…

Filed under: Fantasias reais ou realidade fantástica — O Balconista: @ 16:17

               Uma vez, uma amiga da minha mãe disse assim para ela:

             Fulana (mãe, desculpe, mas vai ficar Fulana mesmo, porque eu não vou dar o seu nome na internet não!! Tem graça, né?!), tome cuidado com seus filhos, porque, se uma menina resolver namorar com eles, vai querer logo se mudar para dentro da casa deles. Eles são muito bons. Não batem em mulher, não fumam, não bebem, e tem um preparo físico excelente!

             Minha mãe ouviu aquilo com um certo ar de descrença, mas, como era um conselho, resolveu guardar, e, há poucos dias, sei lá por que cargas d’água, entendeu que era hora de me contar essa história.

Intuição feminina? Bruxaria? Eu não acredito nisso, mas, qual não foi a minha surpresa? Não é que coincidiu com o período em que aquela ali resolveu vir me visitar em Brasília?

            Estranho… muito estranho….

            Mas, eu pensei: Bah! Isso não deve ser nada de mais. Doideira da minha mãe. Vai ser só um final de semana bem gostoso, com uma morena linda e muito errrr… bem… enfim, vocês entenderam, né?

            Aí, quando ela chegou, foi logo me dizendo que queria fazer uma mudança nos móveis da kit (que quase não existem), “porque o feng-shui deles não estava bom”. Disse também que aquela camiseta que eu tinha da “Choppada da Faculdade de Direito de 1994” tinha que virar pano de limpar banheiro e que “precisava, urgentemente, conhecer meus amigos”.

           Caraca! Nessa hora eu gelei. Todos os meus alarmes soaram! Parecia aquela música do Pink Floyd que começa com todos os despertadores do mundo tocando ao mesmo tempo.

           “Corre cambada, que o General de Primeira Brigada chegou!”, pensei.

            Por mais que a situação fosse alarmante, tipo, “Perigo Nível 7”, ou “lixo atômico sendo transportado em latinha de margarina”, eu só tive fôlego para responder uma coisa: “Claro que sim, meu amor”.

           Tal resposta, eu preciso explicar, é padrão e serve para te livrar de maiores problemas ou aborrecimenos desnecessários, variando, no muito, entre a afirmativa ou a negativa.

           Utilizei-a como tática evasiva para evitar um confronto direto, ali, naquela hora, mas precisava ser rápido se ainda queria preservar a minha liberdade.

           Pensei quem seria o “cara ideal” para apresentar-lhe.

          Não poderia ser qualquer um. Tinha de ser alguém deplorável. Um escroque. Corri mentalmente a lista dos meus amigos, e dentre todos, consegui excluir 3. Tá, esses podem ser facilmente caracterizados por bichinhas, mas fazer oque? Os caras são gente boa.

         Precisava eleger, então, outros critérios, para tornar a busca do “escolhido” mais eficaz. Eliminei de cara todos os que tivessem idade compatível com a dela, e todos os que pudessem desenvolver um diálogo, ainda que minimamente, amistoso, afinal, concorrência é sempre concorrência.

        Cheguei então ao “cara”. Quarenta e sete anos, mora com os pais, é garoto de programa (trabalha com informática, analista de sistemas. Ué?! Pensaram o que?), não escova os dentes pela manhã, porque, segundo ele, deixa a cerveja com um gosto ruim e só usa camisetas do Jetho Tull (as originais, compradas em Woodstock).

        Hehe… o plano estava em execução.

        Levei-a para almoçar num boteco que serve uma codorna ensopada divina e um pescoço de peru ao molho fenomenal, mas, confesso, é um muquifão! Ela ia detestar. Eu tinha certeza disso.

        Marquei com ele uma hora depois do horário, só para deixá-la irritada e para ver se eu conseguia criar um clima desagradável na mesa.

        Maquiavélico, eu? Imagiiiina.

       Cenário armado. Litigantes de cada lado da mesa, e qual não foi a minha surpresa? A porra do meu amigo não inventou de levar a namorada muda que ele tem!

       E pior. Ela não achou isso lindo e adorou a comida?!?! Disse que eu e meus amigos éramos pessoas sensíveis e de bom coração, que o pescoço de peru estava temperado com ervas finas, e que estava louca para contar para a mãe dela, minha sogra (ela fez questão de frisar isso), que eu era o par perfeito para ela.

        Putz… Depois disso, eu estou aqui me perguntando: Porque que a mamãe não me telefonou mais cedo?

       Droga!

 O Balconista.

 

 

 

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3 Comentários »

  1. Sabe, eu queria muito saber onde é que eu estava quando você recebeu a visita dessa namorada-mulherzinha-do-caralho…confesso que não conheço a peça e que se pilhar a vadia se engraçando pra cima do MEU namorado, eu arranco os olhos dela, ok? E não, não vai ter a menor pinta de “cat-fight”, vai ter sangue mesmo… ¬¬

    Comentário por Lívia — abril 29, 2008 @ 16:29 | Responder

  2. ai ai…(suspira)

    Vcs sao o casal mais não-romântico do mundo!!!!

    Amo vcs…e to morrendo de saudade….to me tornando repetitiva,ne???

    SACO!!

    Beijo

    Comentário por Nayra — maio 1, 2008 @ 12:27 | Responder

  3. O que a gente tem que fazer por aqui pra ter uma atualização? Bater panela?

    Comentário por Lívia — maio 17, 2008 @ 16:17 | Responder


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